A colheita de cana-de-açúcar no Nordeste deve aumentar em 3,4% em comparação com 2025, totalizando 56,9 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alagoas tem estimativa de crescer 12%, o maior avanço da região, e deve colher 17,99 milhões de toneladas em 2026, o que corresponde a 31,6% da produção da região.
Os dados constam no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgados pelo IBGE na última quinta-feira (15), e tem como base informações até setembro. Nacionalmente, produtores devem colher 738,7 milhões de toneladas de cana na atual safra, aumentando em 5,1% o total colhido em comparação a 2025. A área a ser colhida tem estimativa de recuar 0,7%, e a produtividade dos canaviais sobe 5,8%. São Paulo deve responder por 51,6% da colheita, com 381 milhões de toneladas, 6,1% acima de 2025.
Entre as regiões, o Sul tem a maior alta anual, de 11,9%, seguido por Norte, com 5,9%, Sudeste, com 5,8%, Nordeste, com 3,4%, e Centro-Oeste, com 2,1%. No Nordeste, cada hectare de cana deve render 62.431 quilos em 2026, alta de 1% sobre o ano passado, contra 77.775 quilos na média nacional.
Na revisão de setembro, a estimativa nordestina subiu 4,3% em relação a agosto. A área plantada na região soma 911,8 mil hectares, 2,3% a mais que em 2025.
O estado de Alagoas, considerado o maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, tem estimativa de colher 17,99 milhões de toneladas este ano, o equivalente a 31,6% da produção da região. A safra alagoana, segundo o IBGE, deve crescer 12,2% sobre 2025, com produtividade 6,5% mais alta, de 65.529 quilos por hectare. A safra teve início na segunda quinzena de agosto e segue até abril.
Dados do Departamento Técnico do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL) apontam que até o dia 30 de setembro as 14 usinas em operação beneficiaram mais de 1,9 milhão de toneladas de cana-de açúcar.
Segundo o Sindaçúcar-AL, houve um crescimento de 64,1% na moagem em comparação com a safra passada, quando o volume de cana esmagada foi superior a 1,2 milhão de toneladas.
O levantamento técnico apontou ainda que 12 usinas em operação processaram mais de 145 mil toneladas de açúcar dos tipos cristal e VHP. Em comparação com a safra passada, quando o acumulado foi superior a 70 mil toneladas de açúcar no mesmo período, houve um crescimento de 105,3% entre os dois ciclos. Já a quantidade de etanol produzida no estado subiu 84,3% em comparação ao mesmo período de atividade em 2025, com 38.637 metros cúbicos (m³) fabricados este ano, contra uma produção de 20.958 m³, no ciclo anterior.
O levantamento do IBGE revela que Pernambuco tem estimativa de colher 14,52 milhões de toneladas de cana nesta safra, que corresponde a 25,5% do produto do Nordeste. No primeiro semestre de 2026, as chuvas tiveram distribuição mais uniforme que em 2025, com volumes acima da média histórica. A colheita pernambucana começou em setembro e deve seguir até abril de 2027.
Já a Paraíba deve colher 7,23 milhões de toneladas, queda de 1,7%, e o Rio Grande do Norte, 5,25 milhões, alta de 2,6%. Na revisão de setembro, o estado potiguar elevou a estimativa em 60,7% em um mês, com área colhida 58% maior que a prevista em agosto.
No movimento inverso, a Bahia deve colher 5,5 milhões de toneladas de cana em 2026, queda de 11,9% sobre os 6,24 milhões de 2025. A área colhida no estado fica estável, em 79 mil hectares, e o rendimento cai 11,9%, para 69.614 quilos por hectare, segundo o levantamento do IBGE.
Já no Ceará, a produção recua 11,6%, para 499,8 mil toneladas, com rendimento 12% menor. Em Sergipe, a colheita deve somar 2,12 milhões de toneladas, queda de 3,2%, com área 4,6% menor.
O Maranhão deve colher 2,61 milhões de toneladas, alta de 0,8% no ano, depois de elevar a estimativa em 2,4% em setembro. No Piauí, a produção chega a 1,16 milhão de toneladas, 0,4% acima de 2025.
O açúcar cristal branco subiu 6,48% em setembro no mercado paulista e fechou o mês a R$ 121,12 a saca de 50 quilos, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), citado pelo IBGE. Chuvas nas regiões produtoras limitaram a oferta de açúcar cristal nas usinas, pela análise do centro.
No etanol, o hidratado, vendido direto ao motorista nos postos, caiu 2,24% na semana de 21 a 25 de setembro, enquanto o anidro subiu 4,77%. O anidro tem demanda obrigatória, porque é misturado à gasolina vendida no país, e o atraso na colheita pelas chuvas influencia o preço, pelos dados do Cepea.
A queda das cotações internacionais do açúcar levou grande parte das usinas a rever a divisão da cana entre os produtos, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O açúcar ficou limitado aos contratos já firmados, e um volume maior de cana foi para o etanol. Pelos números da Conab citados pelo IBGE, a produção de açúcar deve cair levemente em relação ao ciclo anterior, e a de etanol, crescer.
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